
A realização de um debate, em período de campanha eleitoral, constitui-se como um momento de capital importância, para qualquer candidatura. Aqui, para além de ser facultada a oportunidade de explanação dos programas, os candidatos têm a possibilidade de, olhos nos olhos, confrontar os seus interlocutores com factos que entendam relevantes e, sobretudo, demonstrar a sua capacidade argumentativa, os seus dotes de oratória. Aquilo que um aprendiz de político cá do burgo disse possuir, ainda há poucos dias: vocação parlamentar (quanta imodéstia).
O debate que nos foi proporcionado assistir, na segunda-feira, ficou marcado, desde logo, por um episódio que a todos nos deve fazer reflectir: a ausência do candidato do CDS-PP, que recebeu o apoio inequívoco do seu líder nacional. É por esta e por outras afins que a política se vem descredibilizando aos olhos dos cidadãos. Adiante, voltando à questão do debate: os três candidatos remanescentes, em representação do PSD, PS e CDU, apresentaram-se com posturas e, quiçá, ambições distintas face ao exercício do poder: um tentando a sua manutenção, outro a sua conquista e um terceiro acreditando ser alternativa aos restantes. Foi nesta simbiose que se desenvolveu a contenda.
Do debate, propriamente dito, pouco haverá a dizer de substancial. Nem Álvaro Amaro devia invocar o governo para escamotear os seus insucessos, nem Armando Almeida para garantir o seu putativo sucesso. Bem esteve Nuno Abreu, igual a si próprio. Foram os créditos de uma posição descomprometida que lhe permitiram desautorizar Álvaro Amaro a propósito do SAP, com o episódio da Comissão de Utentes, quando este decidiu atacar Armando Almeida pelo seu silêncio na contestação ao encerramento do serviço de urgências, assim como o fez, igualmente, a Armando Almeida relativamente ao projecto de intervenção na zona da ribeira (ex fábrica dos Bellinos), quando reiterou a posição responsável da CDU, ao discutir o projecto em sede própria: na Assembleia Municipal, coisa que o PS se absteve de fazer. Esteve, ainda, melhor do que os seus oponentes na questão do ensino superior, furtando-se à alusão de “armadilhas” e “curto-circuitos”, valorizando outras vertentes.
Muito mais haveria a dizer sobre esta entrevista que ontem ocorreu, todavia não pretendo funcionar como factor desestabilizador desta campanha, mormente através do Rascunhos. Encontro-me fora da política sem, contudo, ter perdido o sentido crítico. Foi, justamente, esta capacidade que me ousou fazer pensar ser possível uma campanha diferente, para melhor!